Cheguei em casa ontem no final da tarde. Sentei no sofá e estava vendo alguns clipes na TV União e olhando pela janela a luz do sol alaranjada que refletia sobre as nuvens, anunciando que mais um dia estava acabando. De repente, uma sensação de felicidade extrema e infinita me acometeu! E no mesmo momento, uma lembrança que me fez desabar em lágrimas. Ela estava ali, eu pudia sentir. E ela me acarinhava com suas doces palavras e seu amor profundo, dizendo que tudo vai melhorar e que é necessário para meu aprendizado passar por tudo isso.
Deixe-me apresentá-la a vocês. O nome dela é Dona Maria, mas sempre chamei ela de Dona. Ela foi minha mãe na minha última existência e nesta, ela não deixou de ser minha mãe, só que de uma forma diferente. Ela cuidou da nossa casa e da nossa família por muitos anos e em 13 de Setembro de 1989, ela foi chamada para uma nova fase de sua existência. Acho que o porquê isso aconteceu só vou saber quando reencontrá-la, pois da mesma forma que ele teve que partir nesta vida quando eu era muito jovem, ela também teve que me deixar cedo em nossa última existência. Mas essa é uma grande prova de que o amor verdadeiro transcende os limites da nossa própria razão.
A primeira vez que recebi sua visita foi em 10 de Abril de 1995, dia do meu aniversário. Havia sido um dia muito triste pra mim, pois era um dia de semana, e não tive a oportunidade de comemorar com meus amigos. Minha mãe havia passado em minha casa a tarde para me dar um beijo e trouxe um bolo para que eu levasse para o trabalho e comemorasse com meus colegas, já que não poderia fazer uma festinha pra mim. Cheguei em casa, deitei no sofá e repentinamente, senti ela passar pelo meu corpo, senti seu cheiro e sua presença acolhedora me dando parabéns. E inúmeras outras vezes tive a oportunidade de receber uma visita dela.
Ontem foi algo bastante marcante porque penso que todos nós, quando estamos passando por algum momento mais difícil em nossas vidas, buscamos um pouco de carinho das pessoas que nos amam e nos querem bem. E sei que ela nunca me deixou e nunca me deixará!
Narrar um acontecimento tão íntimo como esse não é nada fácil. Teclo com um nó na garganta, uma saudade profunda e uma imensa vontade de chorar. Mas saber que temos a oportunidade de termos esse acolhimento sempre que o mundo parece desabar em cima de nossas cabeças só mostra o quão importante é não desistir, porque tudo tem uma razão de ser, e dias melhores sempre virão.
TE AMO, MÃE! E AGUARDO O DIA EM QUE PODEREMOS NOS REENCONTRAR E MATAR ESSA SAUDADE QUE NÃO ME ABANDONOU NESTES ÚLTIMOS 22 ANOS!
Nenhum comentário:
Postar um comentário